sexta-feira, 4 de novembro de 2011

JORNAL: UM DOS CAMINHOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM E DO CONHECIMENTO NA SALA DE AULA.


             O mundo atual muda a cada instante, e para entendê-lo melhor ou ter uma participação ativa na sociedade é importante estar bem informado. É necessário acompanhar as notícias pela televisão, internet, escutá-las pelo rádio ou fazer a leitura do jornal.  A vantagem do jornal sobre os demais  é que, além de dar a notícia, traz também uma série de comentários e análises sobre os acontecimentos diários numa linguagem técnica e misteriosa, permitindo-nos  praticar a língua através da leitura e da escrita.
          Para Nilson Lage(1985) “a linguagem jornalística, oferece nos dias de hoje uma espécie de “português fundamental”, uma língua de base, não tão restrita que limite o crescimento lingüístico do aluno e nem tão ampla que torne difícil o texto escrito ao comum dos estudantes.” Neste sentido, nota -se a importância da linguagem jornalística escrita, pois ela se apresenta como um modelo equilibrado para orientar os professores de língua portuguesa. Ainda nesta perspectiva, Mario Perine salienta que “nos textos jornalísticos encontramos uma grande uniformidade gramatical: não só as formas e construções encontradas nos jornais são as mesmas dos livros científicos, como também não se percebem variações marcadas: um jornal de Recife usa sensivelmente a mesma língua de um jornal de Porto Alegre ou Cuiabá.” Assim, ele sugere que a escola propicie  aos estudantes “ manejar uma linguagem técnica e jornalística, pelo menos como leitores”.
          Ao se trabalhar com o jornal na sala de aula, os estudantes entrarão em contato com diferentes gêneros textuais como editoriais, notícias, artigos de opinião, crônicas, propagandas, charges e muitos outros. Dessa forma, ele se apresenta como um  instrumento de apoio ao professor que a cada dia vem trabalhando os gêneros textuais com mais intensidade, além disso “criando condições para que os alunos construam os conhecimentos lingüístico-discursivos requeridos para a compreensão e produção desses gêneros.”(ROJO,2000)
               Já Marques Melo(1973) sugere a utilização do jornal na sala de aula “ como uma forma de desenvolver a consciência da cidadania. Mas fazendo-se uma leitura crítica dos jornais; fornecendo-lhes instrumentos eficazes para tornar os leitores críticos, não só de textos mas do mundo que os rodeia; mostrando-lhes que não existem jornais neutros nem tampouco informações puras.”
              Enfim, verifica-se que o jornal é importante não só para aprofundar o domínio da língua entre os alunos, esclarecer sobre a realidade dos problemas sociais, como também para desenvolver a formação de leitores críticos, informados e participantes, que possam interpretar o que está escrito nas entrelinhas das notícias imparciais de um jornal e  ser capaz de levantar questionamentos, criar discussões e tornar as aulas ainda mais dinâmicas e interessantes.
                                                            Profª  Juciane de Souza Pinheiro.
                                                                          
    

        

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O palhaço e o nariz

O Palhaço e o Nariz

Era uma vez um palhaço muito engraçado, e muito bonzinho. As crianças adoravam ir ao circo só para ouvir suas piadas e cair na gargalhada.
Palhaço
Quando o circo chegava, era aquela festa! Todo mundo se arrumava para ver os malabaristas e outros personagens, mas famoso mesmo era o palhaço.
Equilibrista
Sempre que ele entrava no picadeiro, fazia suas gracinhas, e contava suas piadas, as crianças logo gritavam felizes:
Crianças
- Eh! Esse palhaço é muito bom! É muito engraçado mesmo!
O que ninguém sabia era que o palhaço era um velhinho triste, muito triste com o seu nariz, que ele achava muito feio:
- Se as crianças me virem sem fantasia, vão me achar horrível com este nariz!
Narigão
E tanto ele sofria com isto que, um dia, um anjinho teve pena dele:
Anjinho-Está bem, vou levar você até o Planeta dos Narizes, e você vai poder escolher um nariz novo que o deixe muito feliz!
-Obá! (o palhaço nunca esteve tão animado!)
Terra
Voaram para o espaço, e viram a Terra lá de longe. Viajaram pelas estrelas até encontrar o Planeta dos Narizes. Ali só tinha nariz, e mais nada. O palhaço nem sabia o que fazer, de tanto nariz que tinha neste lugar.
Olhou para tudo o que pôde, e começou a experimentar as trocas. Na frente do espelho, ele tentava: primeiro este, depois aquele ... até encontrar um que achou muito bonito.
Anjinho O anjinho olhava tudo com muita paciência, pois aquele era alguém especial: um palhaço muito bonzinho.
- Podemos voltar para a Terra?
- Claro! Vamos lá!
Terra
Na hora do espetáculo, o palhaço entrou no picadeiro se achando o máximo, lindo de morrer. Contou uma porção de piadas, fez todas as gracinhas, mas...
Carinha Ninguém achou engraçado.
Até o faquir, que estava esperando sua vez, desistiu de esperar a risada de sempre, e perguntou:
Faquir
-Já posso começar? É a minha vez?
O palhaço saiu muito triste, e foi procurar o anjinho. Pediu para voltar novamente ao Planeta dos Narizes, pois a criançada não tinha gostado nada deste. E então foram até lá.
Uma... Um ...
Duas... Dois ...
Três... Três ...
.... muitas vezes! E em todas o resultado era o mesmo:
Palhaço
- Uh! Esse palhaço é feio! Não é engraçado, não! Uh! - e a vaia doía e rolava nos olhos do palhaço, que a toda hora escolhia um nariz novo.
Até que, um dia, o palhaço estava lá escolhendo nariz no Planeta dos Narizes, quando descobriu um que ele nunca tinha visto antes:
- Ahá! Deste aqui as crianças vão gostar, tenho certeza!
E voltaram os dois para o circo.
Na hora do espetáculo:
Toque de caixa
Foi aquela festa!
O palhaço contou suas piadas, e a criançada riu muito com ele!
Palhaço
Todos comemoraram a volta do palhaço engraçado. Até a vovó ficou contente e dançou com a criançada:
VovóCrianças
O palhaço ficou muito feliz, e saiu correndo para contar ao anjinho que, finalmente, tinha escolhido o melhor nariz. Só não esperava que o anjinho lhe dissese:
Anjinho- Esse é seu próprio nariz, aquele que deixava você tão infeliz ...
Muito espantado, o palhaço acabou reconhecendo que era mesmo! Mas a verdade é que estava muito feliz, e logo voltou correndo para o circo e seus amiguinhos contentes.
Descobriu que nada é melhor do que sermos nós mesmos.
Palhaço com balões
FIM
De novo!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ensinar a ler é ótimo; a interpretar é essencial - Cuiabá Kids


Segunda, 31 de outubro de 2011, 17h51
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ARTIGO
Ensinar a ler é ótimo; a interpretar é essencial
Ler é mais do que decifrar letras

José Ruy Lozano * 
Ninguém sabe ler de antemão, e isso não se refere apenas à decifração de códigos, letras e frases, mas sim ao desenvolvimento de capacidades leitoras diversas, como, por exemplo, a de inferir sentidos.
Frequentemente, a relevância da leitura para a vida em sociedade é debatida. São várias as preocupações de pais e educadores no que se refere às exigências sociais associadas a ela, seja em função de atividades profissionais que exigem comunicação verbal eficiente e boa redação; ou em função de necessidades mais gerais, relativas à inserção social, o que demanda saber ler diferentes tipos de texto, ou mesmo saber utilizar o nível de linguagem adequado a diferentes situações.

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A criança deve ter acesso à maior variedade possível de textos.

Ainda que existam, hoje, muitas mídias que viabilizam o acesso rápido e irrestrito a informações úteis para a vida cotidiana, o texto escrito é ainda o meio fundamental de obtenção do conhecimento. Isso porque ele oferece ao leitor possibilidades de interpretação e, portanto, maior autonomia. Quando lemos, também construímos os sentidos, pensamos autonomamente, elaboramos nossas indagações e recusamos, confirmamos e/ou redefinimos respostas. O leitor é aquele que reescreve o significado do texto a partir de sua interação com as intenções de quem escreveu.
Se a importância da leitura é consensual, a constatação de que nossos filhos lêem mal desperta grande inquietação, além do desejo de ajudá-los no processo de aquisição da capacidade de ler com eficiência e inteligência.
O primeiro passo para ensinar a ler textos de maior complexidade é justamente o de compreender o quão complexo pode ser, para as crianças e jovens, um texto que para nós, adultos, é relativamente fácil ou óbvio. Nesse processo, não existem obviedades. O que é claro e evidente para mim nem sempre o é para uma criança. Ela detém um repertório mais restrito, tanto de palavras quanto de experiências.
O que nos induz ao próximo passo: ensinar a ler exige a intervenção ou a mediação ativa de quem propõe a leitura, sejam pais ou professores. E tomando o cuidado de não ler para a criança, substituindo sua experiência de leitura. É preciso ler com a criança, questionando-a sobre passagens que ocultem implícitos importantes para a compreensão global do que se lê, além de estabelecer relações de significado que, de outro modo, passariam despercebidas.
Assim, estaremos ensinando que ler é mais do que decifrar letras: ler é pensar sobre o que se lê. E isso fará toda a diferença no futuro.
Outro elemento importante para permitir o aprendizado desta atividade é possibilitar o acesso da criança à maior variedade possível de textos, em diversas situações sociais de leitura. Ler é algo que se desenvolve por meio da imersão em sua prática, não atividade exercida de modo descontextualizado da vida em sociedade. De acordo com essa visão, o adulto precisa mostrar para a criança como os textos que circulam na sociedade podem ser usados, a fim de que ela compreenda os seus sentidos.
Charges ou tirinhas de jornal, por exemplo, muitas vezes não são compreendidas pelos mais novos. “O que tem de engraçado aqui?” perguntam-se. Isso ocorre quando o efeito de humor passa por um dado cultural desconhecido pelo jovem leitor. Esse dado pode ser apenas uma palavra de duplo sentido ou até mesmo um pressuposto que exige o reconhecimento de fatos políticos ou históricos.
ropagandas estabelecem relações de sentido que podem ser inferidas de acordo com a intenção daqueles que as produziram e com o público a que se destinam os produtos. Uma notícia pode ser escrita com diferentes intencionalidades, visando a finalidades que não são apenas as de informar. Da mesma maneira, um artigo de opinião pode refletir tendências ideológicas de quem o publica.
Compreender essas relações não é fácil, nem pode ser dado como pré-requisito. Como já se afirmou aqui, ninguém sabe tudo de antemão; ou seja, a criança precisa ser ensinada a ler com profundidade. Ao questionarmos nossos filhos sobre todas essas complexidades, em diversas situações sociais, estaremos evidenciando a eles que ler envolve “um montão de coisas”, o que provavelmente os induzirá a ler não somente com maior atenção, mas também de modo mais inteligente.
A atitude do adulto diante da leitura deve ser positiva, se ele quiser influenciar o jovem a ler mais e melhor. Essa postura inclui necessariamente um envolvimento afetivo com o que lê. O adulto é quem oferece um modelo de leitura para o aluno-leitor, servindo-lhe de exemplo e espelho. Caso a criança não reconheça a importância da leitura nas atitudes do adulto, seu modelo, qualquer estratégia será em vão. Continuamos ensinando melhor por nossas obras do que por nossos discursos.
(*) José Ruy Lozano é professor do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br), da Editora Saraiva, e licenciado em Ciências Sociais e Letras pela Universidade de São Paulo (USP)
Amei esse artigo.